Bugs, insegurança?! Quem paga o pato?

Estou aqui escrevendo do meu laptop, que por sinal roda GNU/Linux desde quando foi adquirido, e mesmo assim me vejo obrigado a ter que passar pelas mesmas agruras de quem tem seu computador (leia-se sistema operacional) infectado por um vírus desses que são usados para se criar BotNets, enviar SPAM, etc. Segundo o fabricante do principal S.O. da praça a responsabilidade por tal fenômeno é dos usuários, já que bastaria atualizar seus softwares para que isso não ocorresse.

Mas então vejamos. Se eu estou sendo incomodado por tantos computadores infectados, que roubam a minha banda, que enchem a minha caixa postal de porcaria (a qual é filtrada pelo thunderbird mas mesmo assim faz com que tenha que ser verificada em busca de falsos positivos), a quem eu deveria recorrer para obter uma devida retratação?

É, isso mesmo! Eu gostaria de saber da boca dessas pessoas o motivo pelo qual elas não atualizam seus sistemas. Mas espere aí!!! Olhe só o que eu encontrei no Secunia hoje:

Então vamos ser francos. Se existem muitos bugs não corrigidos no sistema operacional mais utilizado (e habitat de 99,9% dos vírus), de quem é a culpa pelos problemas causados aos usuários de outros sistemas operacionais?

Eu só consigo imaginar que, se um fabricante faz um veículo e ele não cumpre as normas internacionais, quanto a emissão de gases nocivos, por exemplo, ele é obrigado a fazer a troca ou o reparo gratuíto do seu produto de forma a se poupar de um processo movido pelos seus consumidores. Mas com software é diferente, o usuário (ou comprador nesse caso), além de não ter o devido suporte para problemas contidos no “produto” adquirido, precisa se valer de produtos de terceiros para garantir o bom funcionamento daquilo que comprou, ou seja, sem um anti-vírus não é possível utilizar o tal S.O. pois não existem correções para muitos problemas.

Não é a minha área, não entendo muito de lei de proteção ao consumidor, mas que é estranho é. Isso deveria ser discutido por “usuários” de tal “produto” para verificar se não seria correto impedir que esse tipo de prática continue a existir. Alias, os não usuários do tal também deveriam questionar essa situação, afinal de contas estamos sendo todos prejudicados de uma forma ou de outra.


U-Br: Isso sim é comunidade de verdade

Em Outubro de 2003 quando a proposta do Dâniel tomou forma, vide a história completa, eu achei que seria interessante disponibilizar um servidor na UNIPAR para dar ao projeto um canal de acesso tão bom (ou parecido) quanto o que era disponibilizado pelo UOL antes de tomarem a decisão de extinguir o serviço naquela ocasião. Porém, o que eu jamais poderia imaginar é que dessa idéia surgiriam outras, que novos integrantes quebrariam paradigmas dia-a-dia, até chegar ao que se tornou hoje o que acredito ser um dos projetos mais maduros do gênero.

Enquanto as redes sociais como o Orkut se tornaram um verdadeiro pesadelo, sofrendo com a presença de pessoas que nada tem a acrescentar culturalmente aos demais participantes, a U-Br cresceu qualitativamente e, apesar dos poucos criadores de caso que continuam perturbando (parece que são sempre os mesmos, e isso ocorre desde a época do UOL), surgem iniciativas como essa que gostaria de descrever que me deixam orgulhoso de ter ajudado para que esse tipo de coisa hoje esteja acontecendo.

A USENET, além de ter sido a primeira iniciativa do gênero, foi solo fértil para discussões que levaram às grandes realizações que fizeram da Internet o que ela é hoje. Entretanto, assim como a U-Br até então, ela sofreu do mal do desinteresse e da repetitividade de questões levantadas dia após dia por seus participantes, porém, ao contrário da U-Br, sofreu também da falta de criatividade de adminitradores que não conseguiram encontrar um caminho para se livrar de pragas virtuais como o SPAM, Trolls e uso indevido e seguiram o caminho do fechamento do acesso para postagem apenas para pessoas associadas à provedores por meio de pagamento ou em ambientes mais controlados, como as Universidades.

O que se vê hoje na U-Br é um leque de soluções, todas voltadas ao seu melhoramento, que vai desde filtros para o bloqueio de spam, soluções de alta disponibilidade (esse é o princípio básico do projeto), até criações cuja simplicidade demonstra o nível da genialidade daqueles que as propõem. A união entre Wikis e grupos de discussão soa a mim como sendo o “queijo com goiabada” das comunidades virtuais, a mistura campeã, a simbiose perfeita para que os seus frequentadores continuem evoluindo cada dia mais por meio da oportunidade para que todos possam participar com pequenas contribuições de forma a aperfeiçoar ainda mais os conhecimentos e colaborar para que o aprendizado mútuo qualifique ainda mais aqueles que compartilham dos mesmos interesses.

Exemplos que me levam a descrever aqui isso tudo, e que acredito possam dar mais sentido ao meu discurso, são a página do grupo de Linux e a respectiva área de perguntas mais freqüentes que está sendo elaborada colaborativamente pelos seus participantes.

A U-Br não se propõe a oferecer um meio de comunicação e integração apenas para interessados por software livre, que é o interesse do qual compartilham todos os seus idealizadores e principais colaboradores, mas na rede é possível encontrar grupos sobre assuntos que vão desde a culinária, passando por automóveis, direito, engenharia, cidades, música, fotografia e muito mais. As possibilidades são imensas e o esforço necessário para fazer de um interesse comum uma nova comunidade cabe apenas aos seus participantes.

Se você está lendo esse post e não sabe o que é U-Br, não sabe o que está perdendo, então procure acessar e veja com os seus próprios olhos.


Quando aprender é non-sense 2!

Continuando com as divagações do post anterior, já falei da história do learn on-demand e da correlação (não sei se despropositada ou não) entre a obra de ficção “O Guia do Mochileiro das Galáxias” e a realidade da Internet hoje. Pois então fica faltando tratar do papel do professor na história.

Numa situação de aprendizado sob demanda, o processo todo ocorre de acordo com o surgimento de situações reais onde há necessidade de se aplicar um determinado conhecimento para resolver um problema. O mesmo ocorre no aprendizado baseado em problemas, só que, nesse último caso, são criadas situações fictícias e/ou controladas para que seja criada a demanda (por isso o nome de aprendizado sob demanda).

Então vamos supor que não haja necessidade de absorver uma grande quantidade de conhecimento para começar a colocá-lo em prática, bastando para isso dispor de uma série de eventos nos quais é possível aplicar os conhecimentos recém-adquiridos e deixar a cargo dos aprendizes que descubram as suas próprias maneiras de resolver o problema. Não seria isso a volta do dever de casa? Lembre-se que é indispensável ao Mochileiro carregar consigo sempre a sua toalha :-).

Pois então qual é a diferença entre aprendizado baseado em problemas e aprendizado sob demanda?

A idéia central seria que a diferença entre o aprendizado sob demanda e o aprendizado baseado em problemas está na forma com que as experiências são propostas ao “aprendiz”, ou seja, no aprendizado baseado em problemas a sua casa vai ser derrubada para a construção de uma nova rodovia (você pode se mudar ou simplesmente se deitar na frente dos tratores da equipe de demolição 🙂 ), enquanto que no aprendizado sob demanda o mundo vai acabar e você descobre que o seu melhor amigo é um alienígena, que lhe dá como única opção uma nova realidade totalmente diferente da sua (não espere que o chá tenha o mesmo sabor 🙂 ). Que opção lhe resta a não ser se adaptar e aprender?

O que isso deixa claro? Simples! Que o papel do educador é criar situações de motivação, mas não situações triviais que podem ser contornadas por subterfúgios simples e sim situações nas quais fique claro que é de extrema importância que sejam atingidas as metas para o bom andamento do processo de aprendizagem.

Não acabei ainda, logo eu volto a falar mais sobre o non-sense e aprendizado 🙂 … [continua…]


Quando aprender é non-sense!

Até que ponto o e-learning deve se moldar às formas praticadas pelo ensino presencial? Tenho me feito essa pergunta durante dias e na tentativa de achar uma resposta mais direta, menos focada em conceitos da pedagogia e mais na prática e experiência de uso da Internet como meio de construção de conhecimento. Na falta de uma opinião que espelhe com exatidão a questão eu resolvi postar aqui algumas divagações sobre o assunto.

A primeira dificuldade que vejo está em determinar onde começa e onde termina o aprendizado conectado. O que está acontecendo com cada vez mais pessoas é que a Internet se torna uma extensão dos conhecimentos sabidos, uma prótese cerebral coletiva na qual é possível complementar quaisquer saberes à qualquer momento sem a antiquada necessidade de se estudar por meios decorativos todas as nuances de um determinado assunto. Sendo assim, aquilo que vem sendo pregado por muitos “especialistas” em educação, de que hoje é necessário se especializar, de que a sociedade exige que saibamos muito sobre um determinado assunto e outras colocações pseudo-conclusivas do gênero não passa de uma deturpação do entendimento da realidade do que é a sociedade conectada.

Certamente estamos vivendo um momento em que o aprendizado deixa de ser caracterizado como um processo de formação humana básica, também deixa de ser um processo contínuo, no qual o sujeito aprende tudo sobre um assunto e depois passa a se reciclar continuamente para manter-se atualizado com as mudanças, se tornando o que pode ser chamado de “aprendizado sob demanda”, ou “learning on-demand”.

O processo de aprendizado sob demanda foi explorado na obra de ficção “O Guia do Mochileiro das Galáxias” em completo tom non-sense nos episódios onde Arthur Dent consulta o Guia, que na verdade é uma espécie de tablet-PC que contém informações sobre qualquer coisa do universo. Para Arthur basta perguntar ao guia sobre alguma coisa que ela é respondida em detalhes de forma que ele saiba o necessário para superar os obstáculos encontrados em sua jornada.

Ainda com relação ao filme “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, Arthur Dent faz uso de um dispositivo de tradução simultânea chamado Babel-fish, que no conto trata-se de um peixe que ao ser introduzido no ouvido faz a tradução de tudo que é falado para a linguagem do interlocutor.

Pode parecer totalmente non-sense como já afirmei, mas é exatamente isso que está acontecendo nesse momento com o uso da Internet. Se precisamos traduzir um texto recorremos ao Babelfish (o site, não o peixe) e se precisamos encontrar informações sobre um determinado problema recorremos ao Guia do Mochileiro (o da Terra, não o das Galáxias).

Além disso o Guia do Mochileiro da Internet fornece outros recursos como um mapa mundi interativo e meios de comunicação coletiva e individual com outros seres conectados, além de muitos outros recursos.

Pois bem, isso está ficando muito longo para uma entrada de Blog, então em breve eu escrevo o resto… [continua…]