Como criar dependências e destruir sonhos

Só para contextualizar o assunto, estive lendo durante o meu retorno do FISL 8.0 um livro chamado “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, comprado em um posto de combustível próximo a Joinville, que apesar de ter título de livro de auto-ajuda e de se encontrar em tal seção em diversas livrarias, é baseado num extenso trabalho desenvolvido durante anos pelo professor Stephen R. Covey e, apesar de não ter terminado a leitura, acredito que possa servir de referência para várias introspecções relacionadas à vida profissonal de todos nós, independente da área em que atuamos.

Pois então vamos ao assunto. Depois de trabalhar durante alguns anos na docência, como professor dos cursos de Ciência da Computação e de Sistemas de Informação, do tempo que me encontro coordenando o Núcleo de Tecnologia Educacional aqui da Universidade e também participando de trabalhos conjuntos com outras pessoas, colecionei uma série de situações das quais fiz parte, ou que tomei conhecimento, onde é possível identificar dois agentes que, em conjunto, são capazes de fazer as duas coisas que citei no título desse texto, e eles são a “desmotivação” e a “falta de iniciativa”.

A desmotivação pode ser cultivada de várias formas por pessoas que, apesar de não sofrerem de falta de iniciativa, acabam por sucumbir ao descrédito, falta de apoio e reconhecimento, além do negativismo promovido por aqueles que sofrem do segundo mal. Mas essa não é a única confluência de situações que pode promover a desmotivação, sendo talvez até mais comum o seu fomento por aqueles que possuem iniciativa, mas que direcionam seus esforços no sentido de “facilitar as coisas” para seus companheiros, funcionários, alunos, amigos e familiares.

Um professor, ao prover aos seus alunos resumos, conjuntos de slides e atividades pré-fabricadas, desenvolvidas ao longo de anos de trabalho, não está colaborando para que os alunos tenham um aprendizado mais fácil, mas sim para que eles tenham um aprendizado mais pobre, cerceado pela cultura da falta de iniciativa, onde o ato de ter que pegar um livro e fazer seus próprios resumos e anotações é estirpado da cultura discente, criando uma dependência total e completa da presença do professor para que seja desenvolvido o conhecimento sobre alguma coisa.

Um gerente ou chefe de departamento pode criar um verdadeiro deserto de idéias, impedindo o desenvolvimento individual de seus colaboradores e cerceando seus interesses. Entretanto, ao ser liberal e permitir que se construa uma cultura organizacional libertária, o mesmo acaba ocorrendo.

Não cumprir prazos, promessas e criar falsas espectativas também sobre a qualidade daquilo que pretende ser feito é algo capaz de acabar com qualquer relação, sendo que no meio profissional essas são as principais causas de perda de clientes enquanto que no meio educacional, acarreta em grande desmotivação por parte dos alunos, sendo ambas as situações frutos da perda da credibilidade daqueles que deveriam liderar os seus integrantes.

Facilitar as coisas, criar falsas espectativas e frustrar idéias. Eis aqui a tríade da má orientação.

Qual seria a melhor aula? A do professor que tem todos os seus slides gravados em um CD ou em um Pen-drive acumulando anos de materiais, proferindo aulas longas onde toda o conteúdo é abordado superficialmente na forma de leitura dos materiais criados por ele, fornecendo posteriormente cópias desse material como referência, onde os alunos devem se calar durante toda a aula? Ou seria aquele que dá uma aula indicando quais livros devem ser lidos, como se dá o desenvolvimento das ações pretendidas e permitindo a busca individual pelo conhecimento, direto da fonte (os livros e a internet), cobrando posteriormente de seus alunos a apresentação desses conhecimentos na forma de atividades, deixando grande parte de sua aula para questionamentos e discussão sobre a elaboração das atividades pretendidas?

Um bom gerente ou chefe de departamento seria aquele que controla seus funcionários e colaboradores com mão de ferro, exigindo que os mesmos atuem como engrenagens de uma grande maquina ou como seres que não são pagos para pensar e sim apenas para cumprir ordens? Ou seria aquele que vai para o front de batalha com os funcionários e colaboradores, partilhando de todas as dificuldades e acompanhando de perto, no dia-a-dia, o desenvolvimento dos projetos pretendidos? E mais… Em qual situação seria necessário fazer mais reuniões, e qual delas geraria maior insatisfação e quebras de prazos?

No relacionamento entre departamentos e/ou empresas, qual seria a melhor postura? A daqueles que propõem a divisão dos trabalhos em pequenos projetos menores, com cronogramas individuais? Ou seria daqueles que propõem longos cronogramas, com abrangência global frente ao projeto, fazendo com que se passem anos até que seja apresentado algum resultado paupável frente ao que foi proposto inicialmente?

Ao ver um jovem passar por dificuldades: Dizer a ele que ele não é tão capaz quanto se julga? Ou dizer que derrotas são normais e que é preciso persistir quando elas ocorrem?


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