Os órgãos públicos e as distribuições de linux desconhecidas

Vou ser bem direto. Por que insistem em usar distribuições desconhecidas nos computadores que são distribuídos com Linux nos órgãos públicos?

Não sei afirmar se isso é oportunismo ou falta de visão, mas o que é certo é que estão prejudicando a utilização de softwares livres nos órgãos públicos com a imposição de utilização de distribuições como o Muriqui Linux e outras tantas que aparecem e desaparecem conforme se realizam parcerias para fornecimento de sistemas operacionais. Nos computadores comercializados a custos baixos em grandes redes varejistas a situação também não é muito diferente, já que dificilmente uma pessoa que adquiri um equipamento com Sistema Fenix, e mantem o sistema operacional original instalado.

Por que simplesmente não instalam uma distribuição conhecida? É preciso ter uma empresa “vendendo licenças” para usar Linux nos computadores do estado?

Mas o mais interessante é ouvir relatos dos usuários desses equipamentos de que ao acionar o suporte, o técnico não foi capaz de resolver o seu problema e por isso formatou o disco rígido do equipamento, instalando em seguida o Kurumin, ou nos casos de equipamentos domésticos, ver que ao ligar o equipamento a pessoa que é chamada para fazer a instação (geralmente um vizinho, parente ou amigo) já leva um CD do Windows no bolso pra sequer ter que bootar o sistema operacional que veio com o equipamento.

O pior de tudo é ser procurado por pessoas que trabalham em órgãos públicos e não saber responder dúvidas básicas por simplesmente não ter contato com a tal distribuição que veio instalada no computador que o estado enviou, ou ainda, ver pessoas provenientes desse meio espantadas com o fato de você realmente usar Linux em seu dia-a-dia.

P.S.: Eu ia usar um gráfico do Google Trends nesse texto para demonstrar o quanto essas distribuições são inexpressivas frente às mais utilizadas mas infelizmente, segundo o Google Trends, não há volume de buscas suficiente sobre elas para gerar os gráficos.


3 Comments

  1. RodrigoMenezes disse:

    Estou bastante interessado nesse nicho para distribuição do Fedora especificamente. A dúvida é a seguinte, o pessoal das grandes distribuições está indo atrás dos grande fabricantes como a Sunsix, AmazonPC, etc, etc?

    O Ubunto veio pro Brasil e está correndo atrás, vai fornecer suporte pago para quem quiser, mas outras distribuições como o Fedora e o Debian não foram atrás dessas empresas. Não seria hora de correr atrás?

    O Fenix era de Curitiba, conheci um amigo que trabalhou no suporte. Nem os desenvolvedores entendiam o sistema, era tudo emulado. Mas por que ele vinha pré-instalado em alguns micros, contratos comerciais.

  2. Marcelo R. Minholi disse:

    Uma boa alternativa seria se esses fabricantes que você citou adotassem uma base comum (Debian? Fedora?) e montassem seus próprios CDD’s ou distribuições derivadas com um sub-conjunto mínimo de pacotes que servissem como diferencial.

    O que a Apple faz com os Macs é bem parecido com isso, afinal de contas o que tem rodando em um MacOSX é na verdade um FreeBSD com uma interface gráfica personalizada, sendo que o núcleo do sistema operacional é altamente otimizado e personalizado para a arquitetura do computador que eles comercializam.

    Já imaginou comprar um AmazonPC que já vem com todos os pacotes de um Ubuntu/Fedora/Debian compilados especificamente para a arquitetura do equipamento? Acho que a performance e a susceptibilidade a problemas seria bem melhor do que a que se tem hoje instalando distribuições generalistas.

  3. RodrigoMenezes disse:

    A grande diferença é que a Apple paga pra customizar o seu sistema, já essas empresas de baixo custo não.

    Fazem um contrato meia boa com uma Fenix System, a Fenix trabalha pra fazer o SO customizado (nas coxas lógico) para os produtos da empresa e vendem por preço de banana.

    Do jeito que o negócio é feito, tudo é contra custo pro preço final ficar mais barato. Se a comunidade de alguma distribuição se interessar em fazer esse serviço, com qualidade, pra empresa de venda do software é lucro, não tem contrato de exclusividade, nem custo, e continua com o preço baixo.


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