Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IV

A minha primeira conclusão sobre o Debian é que se trata de uma distribuição totalmente viável para utilização em desktops. O grande destaque vai para a performance, que é sensivelmente melhor do que em distribuições mais utilizadas para esse fim. Entretanto é preciso considerar que boa parte dos procedimentos necessários para torná-lo apropriado ao uso, deixando-o completamente configurado e preparado para utilização, são de deixar os candidatos a usuários um pouco desconfiados, afinal de contas, existe uma quantidade considerável de configurações e personalizações que são encontradas “out-of-box” em outras distribuições.

Outro fator negativo para quem pretende usar o Debian no desktop é a instalação demorada, que pode chegar a horas, caso se tenha adotado o método que descrevi no início do artigo, e o acesso a Internet no local da instalação seja limitado. Em contra-partida a isso, o grande número de CD’s da distribuição oficial, apesar de apenas alguns serem necessários, aliada a falta de informações, acabam gerando grande confusão, o que também ocorre com a forma com que os repositórios são organizados (stable, unstable ou testing?).

Penso que as melhores alternativas para uso do Debian no desktop sejam as CDD’s (Custom Debian Distributions), dentre elas a mais famosa, no caso o Ubuntu, e a louvável iniciativa nacional do Debian-BR-CDD.

Hoje estão disponíveis, no site oficial do Debian, ferramentas para criação de CDD’s, que poderiam ser utilizadas (e já vêm sendo em alguns locais) por Universidades, Governos, Empresas e Fabricantes/Distribuidores de Hardware para criação de distribuições que pudessem oferecer diferenciais aos usuários finais sem abdicar de uma base de softwares comum e intercambiável.

Não pretendo continuar com o Debian instalado em meu laptop por muito tempo, creio que boa parte dos problemas que encontrei no Ubuntu Gutsy possam ser resolvidos em pouco tempo (se é que já não o foram), mas creio que existe algo verdadeiramente diferente no Debian. Talvez a sensação de se estar usando um projeto desenvolvido de forma verdadeiramente coletiva, com qualidade inquestionável, além de servir de grande provedor para ótimas distribuições que consolidam-se a cada dia como alternativas viáveis, não só em desktops/laptops, mas em todas os dispositivos que demandem a presença de um sistema operacional.

Não sei se fui muito superficial neste meu artigo, mas creio que todos os colaboradores do Debian merecem a simpatia daqueles que usam o GNU/Linux em suas atividades profissionais ou mesmo em seus equipamentos pessoais. Obrigado a vocês!

Espero manter o Debian instalado em uma maquina virtual para poder acompanhar por mais tempo o seu desenvolvimento e, quiçá, contribuir com alguma coisa. Até logo!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte III

Instalar aplicações adicionais em distribuições que usam pacotes em formato DEB, criado originalmente para o Debian, é algo particularmente simples. Nas etapas iniciais deste artigo já foi demonstrada a utilização do Synaptic e do gerenciador de pacotes APT, assim como ocorre em uma série de outras distribuições. Mas quando é necessário instalar softwares que não se encontram nos repositórios oficiais da distribuição é possível usar duas abordagens:

1. Configurar repositórios adicionais, como foi feito anteriormente na instalação do Compiz Fusion.

Um local onde podem ser encontrados diversos repositórios adicionais, contendo softwares que não são encontrados nos repositórios oficiais do Debian, é o site apt-get.org. O procedimento para utilização do apt-get.org é bem direto, basta fazer uma busca pelo nome do software que se deseja instalar e configurar e, caso ele esteja disponível em algum dos repositórios disponíveis, adicionar o repositório ao arquivo /etc/apt/sources.list, e rodar um apt-get update && apt-get install nomedopacote.

2. Instalar os softwares a partir dos instaladores disponibilizados pelos autores dos softwares.

No caso do Debian existem metapacotes que facilitam essa tarefa, como no caso do Google Earth, onde para fazer a instalação do mesmo basta instalar o pacote googleearth-package com o comando apt-get install googleearth-package (ou através do Synaptic) e executando o comando make-googleearth-package, que irá fazer o download do instalador oficial e irá criar um pacote DEB, que pode ser instalado posteriormente com o comando dpkg -i googleearth*.deb.

Instalar softwares utilizando o instalar binário disponibilizado pelo criador do software também não é uma tarefa tão difícil. Geralmente o processo todo consiste em executar o arquivo com o comando sh nomedoinstalador.run (como Root).

Não creio que sejam necessários exemplos, até porque, com o crescimento do Ubuntu e de outras distribuições que derivam do Debian e/ou fazem uso do formato DEB, são muitos os projetos que já disponibilizam pacotes em formato DEB de seus softwares. Talvez a melhor dica para facilitar a instalação de softwares disponíveis para download nesse formato seja instalar o Gdebi, o que pode ser feito com o comando apt-get install gdebi ou via Synaptic.

Pois é, neste ponto não existem grandes diferenças para quem já está acostumado com o gerenciamento de pacotes oferecido pelo Ubuntu. Na próxima parte do artigo estarão dispostas as minhas conclusões desta experiência com o Debian no desktop.

Até a próxima!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IIc

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a renderização de fontes do Debian inicialmente, mas logo percebi que isso poderia ser melhorado rapidamente. O mesmo ocorreu com aplicações baseadas no Toolkit QT3 e QT4, como o VirtualBox, o player Lastfm, o Skype e o painel de controle da placa de vídeo ATI (Catalyst).

Nesta parte do artigo eu vou explicar como melhorar a qualidade das fontes do Debian e fazer com que aplicações QT fiquem com um look-and-feel mais próximos do GTK e do Gnome.

A primeira coisa a se fazer, independentemente das fontes que você escolheu instalar, é configurar a renderização de fontes para que fontes Bitmap não sejam usadas. Ao fazer isso você evitará que fontes fiquem serrilhadas, o que acontece principalmente em páginas da Internet e documentos do BrOffice/OpenOffice.org.

O processo é bem simples, bastando usar o “Terminal como Root” e executar o comando dpkg-reconfigure fontconfig-config. Isso irá fazer com que seja carregado um assistente de configuração, onde devem ser selecionadas as opções “Nativo”, “Automático” e “Não”, conforme pode ser visto nos screenshots abaixo:




O segundo passo é reconstruir o cache de fontes do X, o que pode ser feito usando o comando dpkg-reconfigure fontconfig. Depois disso é necessário reiniciar o servidor X, o que pode ser feito fechando todas as aplicações e usando a combinação de teclas Ctrl+Alt+Backspace. Ao fazer novamente o login e acessar o Gnome será possível notar de imediato que as fontes de páginas da Internet e documentos que antes eram apresentadas com serrilhados, deixando-as praticamente ilegíveis, agora serão apresentadas corretamente.

Obs.: Um outro detalhe válido para quem usa monitores LCD ou Laptop é habilitar a Suavização de Subpixel no menu “Sistema > Preferências > Fontes” (ou em “Sistema > Aparência” caso esteja usando Gnome 2.20.x).

Quanto às aplicações desenvolvidas em QT3 e QT4, é preciso instalar 2 utilitários de configuração (um para cada versão do Toolkit) usando o comando apt-get install qt3-qtconfig qt4-qtconfig. Isso irá instalar os 2 utilitários de configuração e serão criados 2 atalhos para eles no menu “Sistema > Preferências”.

Caso esteja usando fontes em tamanho 10 (padrão do gnome), procure informar o mesmo tamanho de fonte na configuração de cada um dos toolkits, e selecione um conjunto de widgets bem parecido com o do Gnome. No meu caso eu selecionei “windows” para o QT3 e “clearlooks” para o QT4.

Obs.: Uma outra alternativa para configurar aplicações em QT é instalar o pacote kcontrol com o comando apt-get install kcontrol, mas isso acarretará a instalação de ícones indesejados no menu de aplicações (apesar do resultado ficar até melhor do que usando o qtconfig).

É isso aí! Na próxima parte do artigo eu vou explicar como instalar aplicações adicionais, in clusive algumas que não estão nos repositórios.

Até a próxima!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IIb

As placas de vídeo da ATI sempre foram um pouco difíceis de se configurar em qualquer distribuição Linux. Recentemente a AMD adquiriu a ATI e agora surgem as primeiras versões dos drivers que são fáceis de instalar e dão suporte a uma extensão chamada AIGLX, que permite, por exemplo, que o Compiz Fusion funcione.

Nesta parte do artigo eu vou mostrar como configurar uma placa de vídeo ATI e instalar o Compiz Fusion, sem complicações.

O primeiro passo é fazer o download do driver mais atual, diretamente das páginas do site oficial da ATI, caso seja uma Radeon, basta fazer isso acessando o esse endereço.

O arquivo deve ser salvo em uma pasta para utilização futura e o seu nome deve ser algo como ati-driver-installer-7-11-x86.x86_64.run (o que deverá mudar caso esteja seguindo este tutorial depois de algum tempo, a medida que forem sendo lançadas novas versões).

O segundo passo consiste em gerar e instalar os pacotes, além de compilar e instalar os módulos propriamente ditos, o que pode ser feito usando o “Terminal como Root”, dirigindo-se até a pasta onde encontra-se o arquivo descarregado e usando os comandos abaixo:

# sh ati-driver-installer-7-11-x86.x86_64.run –buildpkg Debian/lenny
# dpkg -i *.deb (podem ocorrer problemas com dependências)
# apt-get install -f (se ocorrerem problemas com dependências use esse comando)
# m-a update (só para ter certeza que a base de dados de módulos já foi atualizada)
# m-a prepare (procurando por dependências, de novo!)
# m-a a-i fglrx (compilando e instalando o módulo)

O módulo ‘fglrx’ é o driver da placa ATI. Uma vez que ele estiver devidamente instalado é necessário configurar o servidor X (X.org) para que ele passe a utilizar o novo driver. Isso pode ser feito usando o comando aticonfig –initial -f (usando novamente o Terminal como Root).

O próximo passo é preparar o servidor X para que ele suporte corretamente o Compiz Fusion. Para isso é preciso editar o arquivo /etc/X11/xorg.conf (usando o Terminal como Root e o comando gedit /etc/X11/xorg.conf) e fazer as seguintes modificações:

Na Section “Device”, logo abaixo da linha Driver “fglrx”, adicione a linha abaixo:

Option “XAANoOffscreenPixmaps”

Isso irá garantir que não ocorram alguns problemas com o Compiz (caso queira ver quais são basta não seguir esse passo).

Outra modificação importante é adicionar ao final do arquivo xorg.conf o seguinte:

Section “Extensions”
Option “Composite” “Enable”
EndSection

Ok! Neste momento o seu servidor X já está configurado para utilizar o novo driver da ATI, mas o sistema operacional precisa ser reiniciado para que as configurações tenham efeito. Para aproveitar a reinicialização, vamos instalar também o Compiz Fusion.

O primeiro passo é adicionar a seguinte linha no /etc/apt/sources.list:

deb http://download.tuxfamily.org/shames/debian-lenny/desktopfx/stable/ ./

Agora é só Recarregar os repositórios usando o Synaptic e instalar os pacotes compiz-fusion-gnome e fusion-icon.

Para ter uma maneira simples de iniciar e configurar o Compiz Fusion basta ir até o menu “Sistema > Preferências > Sessões” e adicionar o fusion-icon à inicialização do sistema.

Pronto! Agora é só reiniciar o sistema e quando ele voltar você notará um novo ícone próximo ao relógio do Gnome. Para ativar o Compiz Fusion é só clicar nele com o botão direito e selecionar o gerenciador de janelas “Compiz”, no menu “Select Window Manager”.

Outras configurações do Compiz Fusion estão disponíveis neste mesmo local, clicando em “Settings Manager”. Depois de devidamente instalado e configurado alguns efeitos possíveis são os que selecionei abaixo:



Até a próxima!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IIa

Na primeira parte do artigo eu expliquei como pode ser feita a instalação do Debian Testing de maneira simples e descomplicada, porém, depois de instalado, há necessidade de configurar alguns hardwares que por ventura não tenham sido instalados corretamente durante a fase de instalação. No meu caso o primeiro dispositivo que precisei configurar foi a placa de rede wireless do laptop, além do processador que aparentemente não é totalmente suportado pela versão do kernel que foi instalada.

Ao contrário do Ubuntu, onde todos os comandos administrativos podem ser executados com o ‘sudo’, no Debian é necessário usar o comando ‘su’, então informar a senha do usuário ‘root’ e só depois executar o comando desejado, mas há uma alternativa mais simples para esse fim que é usar o ‘Terminal como Root’, que encontra-se disponível no menu “Aplicações > Acessórios”, mas se a intenção é instalar pacotes, então a opção mais simples é usar o ‘Gerenciador de Pacotes Synaptic’ que está disponível no menu “Aplicações > Ferramentas Administrativas”.

Tendo acessado tal aplicação, é preciso primeiramente instalar uma versão do kernel que suporte corretamente o processador utilizado, já que as etapas posteriores irão realizar compilações de módulos, que ficarão por sua vez atrelados à versão do kernel que estiver em funcionamento no momento da compilação.

Usando o Synaptic basta procurar por “linux-image” e serão mostrados diversos pacotes para várias arquiteturas de processadores. Se a intenção é instalar a versão do kernel para processadores k7 (AMD Athlon ou superior) o pacote correto é o “linux-image-k7”.


Depois que o novo kernel for instalado é necessário reiniciar o computador, na tela inicial (grub) serão mostradas novas opções, apontando para a nova versão do kernel. Basta selecionar a versão desejada e acessar normalmente o gnome.

O próximo passo consiste em configurar os repositórios do debian para utilizar pacotes adicionais, o que pode ser feito utilizando o “Terminal como Root” e editando o arquivo /etc/apt/sources.list com o comando abaixo:

# gedit /etc/apt/sources.list

Deixando-o da seguinte maneira:

deb http://ftp.br.debian.org/debian/ lenny main contrib non-free
deb-src http://ftp.br.debian.org/debian/ lenny main contrib non-free

deb http://security.debian.org/ lenny/updates main contrib non-free
deb-src http://security.debian.org/ lenny/updates main contrib non-free

Feito isso basta salvar o arquivo e depois utilizar o Synaptic (opção “Recarregar”) para atualizar os repositórios, fazendo com que os novos pacotes fiquem disponíveis para instalação.

Os pacotes necessários para instalar o módulo que irá controlar a placa de rede Wireless, no caso uma Atheros AR5005G, são o madwifi-source e o madwifi-tools.

Uma vez instalados basta compilar e instalar os módulos, o que pode ser feito com o auxílio do “Module Assistant”, o que pode ser feito usando o “Terminal como Root”. Os comandos necessários para instalaçao do módulo são os seguintes:

# m-a prepare (isso irá instalar o pacote kernel-headers e quaisquer outras dependências)
# m-a a-i madwifi (isso irá compilar e instalar os módulos do kernel para controlar a placa de rede wireless)

Assim que o processo de instalação terminar é possível carregar o módulo do kernel através do “Terminal como Root” com o comando abaixo:

# modprobe ath_pci

Logo após o comando ser executado o applet do monitor de redes que fica próximo ao relógio do gnome (no canto superior direito da tela) já irá mostrar as redes sem fio disponíveis, bastando clicar nele para ver a lista.

Para tornar a configuração definitiva e permitir que o módulo seja carregado automaticamente da próxima vez que o computador for ligado é preciso adicionar o nome do módulo no final do do arquivo /etc/modules, novamente usando o “Terminal como Root” e editando o arquivo com o comando gedit /etc/modules. O nome do módulo é ath_pci.

Pronto! Agora o primeiro periférico foi corretamente configurado. O mesmo procedimento pode ser usado para configurar outros hardwares, o que faremos na próxima parte do artigo com a placa de vídeo, uma ATI Radeon Xpress 1100, o que também demandará alguns pequenos ajustes na configuração do servidor X.

Até a próxima!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte I

Resolvi escrever esse artigo para contar a minha experiência ao instalar o GNU/Linux Debian em meu Laptop, o que ocorreu esta semana em virtude do descontentamento com o Ubuntu 7.10 (Gutsy Gibbon) e os vários problemas que já relatei aqui no Blog anteriormente. Para facilitar a leitura eu dividi o texto em quatro partes, sendo elas a instalação, a configuração do hardware, a instalação de softwares adicionais e as conclusões, sendo esta primeira parte dedicada a descrição do processo de instalação, conforme pode ser visto abaixo.

Parte I – A Instalação

Eu não costumo usar outro sistema operacional em meu Laptop (um Acer Aspire 5100-5196) que não seja alguma distribuição do GNU/Linux e uma instalação, devidamente licenciada, do Windows XP que mantenho em uma partição de 20GB para utilização da Webcam (que ainda não tem drivers para Linux) e de softwares que exigem este sistema operacional.

Com o Ubuntu, distribuição que utilizo no dia-a-dia neste Laptop desde a sua aquisição, todo o hardware (exceto pela webcam) é reconhecido perfeitamente, bastando para isso instalar o CD da versão Desktop da distribuição, sem maiores problemas. Já com o Debian a história é um pouco diferente. Senão vejamos:

O Debian conta com 3 repositórios distintos, sendo eles:

  • o ‘stable’, que conta com versões altamente testadas dos softwares lá contidos, o que ocorre em detrimento à atualização dos mesmos, ou seja, são softwares muito velhos, que não me atenderiam, por exemplo, o Gnome 2.14;
  • o ‘unstable’, que conta com as últimas versões dos softwares disponíveis em detrimento da sua estabilidade;
  • o ‘testing’, que conta com versões razoavelmente atualizadas dos softwares disponibilizados pela distribuição e com grau de estabilidade até mesmo superior ao de distribuições orientadas ao público geral como o Ubuntu e o Fedora.

Dadas essas três possibilidades eu optei por utilizar a versão “testing” do Debian, que recebe o nome de ‘Lenny’ (a unstable chama-se ‘Sid’ e a stable chama-se ‘Etch’).

O primeiro passo foi selecionar uma das várias formas de instalação possíveis do Debian, dentre as quais a que me pareceu mais interessante foi a que faz uso de um CD bootável chamado ‘debian-installer’, onde uma imagem contendo apenas os softwares essenciais (com tamanho aproximado de 140MB) é utilizada para a instalação, que é completada através do download dos componentes escolhidos ao longo da instalação (também chamados de Tasks).

Na página do Debian Installer há uma grande quantidade de opções para diversas arquiteturas e formatos de mídia, dentre as quais recomendo a chamada de CD “netinst”. Essa versão já é orientada para os repositórios ‘testing’, assim sendo, ao terminar a instalação, já se terá um Debian Testing (Lenny) rodando. Também é preciso observar a arquitetura do computador onde o Debian será instalado, sendo a mais comum a i386.

Observação: A versão AMD64 parece estar com problemas. Não consegui fazer minha placa de rede wireless funcionar, portanto, o melhor a fazer é instalar a versão i386 e selecionar um kernel mais adequado mais tarde.

Antes de começar a instalação é preciso se certificar de que há uma conexão de rede ethernet por perto. Aparentemente o CD “netinst” não reconhece uma grande variedade de adaptadores wireless, assim sendo, como a instalação depende de conexão com a Internet para ser concluída posteriormente, é bom conectar o computador a um cabo de rede para evitar problemas.

O procedimento é comum a qualquer instalação de sistema operacional, ou seja, uma vez com o CD em mãos basta inseri-lo no drive e efetuar o boot por ele. Quando o CD é carregado é mostrada uma tela onde é possível selecionar diversos parâmetros opcionais de instalação, sendo que para utilizar o instalador gráfico é necessário informar o parâmetro ‘installgui’ nesse momento. O instalador é bem parecido com o do Ubuntu e de outras distribuições que contam com esse recurso, portanto não vou me ater a detalhes iniciais.


Durante a instalação, já nos últimos passos do instalador, é solicitada a seleção do perfil (Tasks) de utilização para o qual o computador será utilizado. No meu caso eu selecionei 3 perfis, referentes a ‘desktop’, ‘laptop’ e ‘softwares básicos’. Uma vez feito isso o instalador irá fazer o download de mais de 700 pacotes que irão ser instalados para que o computador atenda aos perfis selecionados. Isso pode demorar várias horas dependendo da conexão com a Internet que estiver em uso no momento, portanto, recomendo que se faça isso em algum local com conexão rápida com a Internet.


Depois de concluída a instalação e reiniciado o computador é apresentada a tela de login para que sejam informadas as credenciais do usuário que foi criado durante o processo de instalação. A partir daí o que se tem é um desktop Gnome completo com diversas aplicações instadas, praticamente idêntico ao que ocorre ao final da instalação de distribuições mais “User Friendly” como o Ubuntu e o Fedora.

Logo ao verificar o monitor de recursos do gnome é possível perceber que o consumo de memória RAM é consideravelmente menor do que em outras distribuições, entretanto, em equipamentos com processadores dual-core da AMD é possível perceber também que apenas um núcleo do processador é detectado corretamente, o que pode ser resolvido instalando o kernel (k7), o que irei explicar posteriormente.

Outros hardwares não detectados (além da webcam que certamente não funcionará) são a placa de rede wireless Atheros (madwifi) e a placa de vídeo ATI Xpress 1100.

Na próxima parte do artigo eu irei descrever como configurar estes hardwares e outros que demandem a compilação de módulos do kernel, o que a primeira vista pode parecer muito difícil mas realmente não é.

Até a próxima!


Relato: Where do we put the next fifty Itaipus? – Latinoware 2007

Nesta palestra (que não consegui assistir inteira por ter ocorrido paralelamente a outra que eu estava assistindo) o palestrante John “MadDog” Hall falou sobre como o software livre contribui para o consumo mais racional de recursos energéticos com projetos como o four-head e o LTSP, além de decisões que podem contribuir para a melhoria do consumo desse tipo de recursos como a utilização de equipamentos que façam uso mais racional da energia elétrica, assim como os monitores LCD em relação aos monitores CRT.

Abordou questões como o ROI (Retorno de Investimento) e como utilizar o lado financeiro para alavancar a inserção de soluçoes livres em ambientes corporativos.


Relato: Software Livre no ambiente educacional: análise e perspectivas – Latinoware 2007

Nesta palestra o Prof. Ulisses Leitão contou sua experiência com a utilização de softwares livres na educação em sua instituição de ensino. Reforçando a idéia de que o software livre pode (e deve) ser utilizado em todas as áreas pois não há limitações, a não ser as impostas pelo preconceito que as pessoas tem de utilizar softwares que não conhecem.

Durante a apresentação ele citou softwares que utilizou e utiliza em seus projetos. Ao final da apresentação ele distribuiu CD’s de uma distribuição de linux criada com seu auxílio onde encontram-se disponíveis materiais de treinamento em vídeo para reduzir o impacto do primeiro contato com o software livre em instituições de ensino.

O foco principal foi a capacitação de professores para uso do software livre.


Relato: Videoconferência em Software Livre: para tudo e para todos – Latinoware 2007

Durante a palestra foram expostos os conceitos de videoconferência e suas modalidades, usando unicast, multicast e broadcast; quais equipamentos são utilizados em soluções proprietárias e os custos acarretados pela aquisição de encoders, MCU’s e transmitters. Também foi abordada a teoria por trás de cada modalidade de transmissão com a apresentação de esquemas e os seus impactos.

O palestrante falou sobre protocolos de rede que são utilizados para esse fim, dentre eles o h.323 e o SIP. Ele também falou dos projetos voltados para construção de ecossistemas de videoconferência livres como o Openh323 que oferece vários subprojetos que podem ser utilizados na criação de uma solução completa.

OpenH323: http://www.openh323.org


Relato: Mini-curso – Ruby On Rails – Latinoware 2007

O mini curso que estava previsto para ter início às 15:00 e término às 20:00 do dia 13 teve uma duração bem menor do que a prevista onde foram abordados os principais aspectos do framework para desenvolvimento de aplicações Web Ruby On Rails. Inicialmente o ministrante fez uma demonstração de especificidades da linguagem Ruby, que é muito parecida com Python e demonstrações de como tudo na linguagem é composto por objetos que possuem métodos, inclusive os tipos primitivos de dados, o que é muito bom, pois associado ao fato de se tratar de uma linguagem dinâmica, ela é fortemente tipada e conta com tipagem dinâmica de dados. Essas características fazem do Ruby uma linguagem simples, poderosa e fácil, que pode ser utilizada para construir softwares complexos sem que o programador tenha tanto trabalho quanto teria se estivesse usando linguagens mais rudimentares como o Java, C ou Pascal, além de não exigir recompilações e todas as outras vantagens que são inerentes a linguagens dinâmicas como o Python, Perl e outras.

Ao iniciar a demonstração do framework própriamente dito, no caso o Ruby On Rails, ele demonstrou de maneira rápida as características prinicipais do framework e explicou como a filosofia de “Convention over Configuration” contribui para a criação de aplicações simples e eficazes.

O Ruby on Rails parte da premissa que um desenvolvedor cria seus softwares partindo do topo para a base, sendo que a definição da base de dados gera automáticamente as classes do sistema de forma dinâmica, sem geração de código, aumentando muito a produtividade do desenvolvedor. Infelizmente não foi possível desenvolver a aplicação de exemplo que havia sido proposta inicialmente, o que prejudicou o conteúdo do mini-curso, que acabou se transformando numa palestra um pouco mais aprofundada.

De qualquer forma, existem muitos materiais sobre Ruby on Rails e eu procurei listar alguns aqui para quem tiver interesse.

Site Oficial: http://www.rubyonrails.org/

Ruby On Rails Brasil: http://www.rubyonrails.com.br