Coluna de tecnologia do Jornal da Globo

Os telejornais da Rede Globo de Televisão são talvez a fonte de informação mais popular do Brasil, o que se deve não só a questões culturais mas, principalmente, à tradição que esses programas tem de levar a notícia à todas as camadas sociais da população de nosso país. Confesso que fiquei muito feliz ao ver ontém que agora haverá um espaço dedicado inteiramente à tecnologia no Jornal da Globo, já que isso contribuirá muito para melhorar a visão das pessoas sobre o assunto. O vídeo da primeira reportagem é esse:

Pelo que anunciaram no final da reportagem, será aberto um espaço para sugestões e uma espécie de “reunião de pauta” que será feita com os internautas. Portanto: Atenção blogueiros, geeks, nerds, e companhia.

Da minha parte só tenho que agradecer. Será sem dúvida um bom material para usar como apoio no esclarescimento de algumas dúvidas que costumam vir de pessoas próximas e alunos.


Relato: Como foi ir ao FISL sem sair de casa

Como tive que cancelar minha ida ao FISL 9.0 na última hora, já que tinha que resolver algumas pendências na Universidade onde trabalho, acabei assistindo algumas das palestras que me interessavam pela TV Software Livre. Como tudo na vida acabei encontrando vantagens e desvantagens em fazer isso, além de ter observado pontos que podem melhorar, daí a idéia de escrever sobre o caso aqui, até mesmo para que esse texto possa servir de feedback para as pessoas que viabilizaram tal transmissão.

No primeiro dia não foi possível assistir ao stream de algumas salas e outras estavam sendo transmitidas sem som, mas ainda assim foi possível assistir a alguma coisa.

Da metade do segundo dia em diante todas as salas estavam sendo transmitidas corretamente, com isso foi possível assistir várias palestras, mas alguns pequenos detalhes acabaram atrapalhando um pouco, por exemplo:

  • A qualidade da captação do áudio estava bastante prejudicada em algumas salas, com muito ruído e interferências, o que acabou prejudicando um pouco a qualidade da transmissão, já que o áudio é mais importante nesse tipo de transmissão do que o próprio vídeo;
  • Algumas salas não filmavam a tela quando um palestrante estava demonstrando alguma coisa, nas demais quando era filmada a projeção a nitidez não era suficiente para uma boa visualização, assim sendo, o entendimento de quem assistiu as palestras onde isso ocorreu ficou bastante prejudicado. Uma saída interessante seria captar o vídeo diretamente da saída de retorno do projetor, isso contribuiria imensamente para a melhora desse aspecto;
  • A programação poderia conter a identificação do que estava sendo transmitido, já que para isso foi necessário consultar constantemente a grade, já que todos os vídeos estavam identificados como “conteúdo desconhecido”.

Sou muito grato ao pessoal que se esforçou para oferecer essa alternativa para quem, como eu, não pode ir até o evento, então espero que, caso venham a tomar conhecimento do meu relato, que procurem corrigir os pequenos detalhes que ficaram para trás, já que foi bastante gratificante contar com tal possibilidade frente aos acontecimentos.

Os pontos positivos, na minha opinião, ficaram por conta da possibilidade de ver o que estava acontecendo em várias salas ao mesmo tempo. Em outras edições do FISL eu tive a desagradável experiência de entrar em palestras cujo conteúdo não era exatamente o que eu esperava, o que me forçou a procurar uma nova palestra às pressas, prática esta que em várias vezes não surtiu efeito, haja vista que as salas lotam rapidamente. Neste caso eu penso que a transmissão da TV Software Livre poderia ajudar muito, já que seria possível montar um servidor local no evento retransmitindo os vídeos através de Multicast.

Como estive presente no ano passado e isso acabou acontecendo várias vezes, continuo aguardando a publicação dos vídeos para que possa assistir às palestras, já que nos anos anteriores isso ocorreu rapidamente mas até agora não foram disponibilizados os vídeos das palestras do FISL 8.0.

Uma melhoria interessante seria possibilitar, através de canais IRC por exemplo, que os participantes remotos das palestras pudessem fazer perguntas. Outra seria disponibilizar os slides das palestras com o áudio no SlideShare.

Usei o Videolan e consegui manter até 4 salas abertas (contando com um link ADSL de 2Mbps) enquanto alternava entre elas em algumas ocasiões. Ano que vem espero poder comparecer presencialmente ao FISL 10.0, nada substitui a possibilidade de estar em Porto Alegre e muitas vezes as conversas nos corredores são até mais produtivas do que as exposições formais feitas nas palestras, mas fica aí a dica pra quem vier a precisar.


Terra TV só com Windows ou MacOSX

Achei isso altamente preconceituoso e infundado.


A imagem acima está ligada ao aviso original, portanto, quem quiser expor a insatisfação com tal imposição do Terra, por favor use o formulário de contato, como eu fiz, e expresse sua opinião.


A Web 2.0 e os Leitores RSS

Você usa um leitor RSS? Se respondeu não então ainda não ingressou na verdadeira revolução social que tomou conta da Web nos últimos tempos. Ao utilizar um leitor RSS é possível agregar conteúdos de dezenas de sites em um único local, classificar tais conteúdos, compartilha-los e assim criar fontes de informação completas sobre qualquer assunto, escolhendo sua própria equipe de jornalistas, repórteres e editores.

Já escrevi anteriormente sobre esse assunto, mas como esses softwares parecem se tornar mais necessários a cada dia eu creio que seja preciso alertar, mais uma vez, para a existência e os benefícios da sua utilização.

Dentre os inúmeros leitores RSS que existem, eu recomendo em particular o Google Reader, o Bloglines e o Netvibes.

Por que não usar mais leitores RSS no desktop?

A Web é a plataforma. Ao usar um leitor RSS via web você amplia as possibilidades de compartilhamento, a informação torna-se disponível em qualquer lugar e, principalmente, você não corre o risco de perder suas fontes de informações.

Se você ainda não usa um Leitor RSS então inscreva-se em um dos 3 serviços acima, adicione seus blogs, sites, portais e colunas favoritas e tenha a informação que você precisa sob controle. E não se esqueça. O meu blog também! 🙂


E agora? Rodando o que?

Depois de toda controvérsia criada pela afirmação de que o Ubuntu 7.10 não vinha funcionando corretamente no meu laptop, da defesa da dissertação, das férias, eis que venho relatar a situação atual do Ubuntu 7.10 por aqui.

Ainda demorou algum tempo depois da minha experiência com o Debian Testing rodando como S.O. principal, mas a medida que as atualizações foram surgindo tudo voltou a normalidade. Resumindo: O Ubuntu 7.10 está rodando perfeitamente.

Algumas Conclusões Importantes

  1. O tamanho ideal de fontes para o display do meu laptop é 8,6. Que na prática é o tamanho 8, mas com um alinhamento mais centralizado das fontes;
  2. O novo Catalyst (versão 8.1) contribuiu muito para a estabilidade e desempenho do equipamento. Recomendo a atualização deste.

Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IV

A minha primeira conclusão sobre o Debian é que se trata de uma distribuição totalmente viável para utilização em desktops. O grande destaque vai para a performance, que é sensivelmente melhor do que em distribuições mais utilizadas para esse fim. Entretanto é preciso considerar que boa parte dos procedimentos necessários para torná-lo apropriado ao uso, deixando-o completamente configurado e preparado para utilização, são de deixar os candidatos a usuários um pouco desconfiados, afinal de contas, existe uma quantidade considerável de configurações e personalizações que são encontradas “out-of-box” em outras distribuições.

Outro fator negativo para quem pretende usar o Debian no desktop é a instalação demorada, que pode chegar a horas, caso se tenha adotado o método que descrevi no início do artigo, e o acesso a Internet no local da instalação seja limitado. Em contra-partida a isso, o grande número de CD’s da distribuição oficial, apesar de apenas alguns serem necessários, aliada a falta de informações, acabam gerando grande confusão, o que também ocorre com a forma com que os repositórios são organizados (stable, unstable ou testing?).

Penso que as melhores alternativas para uso do Debian no desktop sejam as CDD’s (Custom Debian Distributions), dentre elas a mais famosa, no caso o Ubuntu, e a louvável iniciativa nacional do Debian-BR-CDD.

Hoje estão disponíveis, no site oficial do Debian, ferramentas para criação de CDD’s, que poderiam ser utilizadas (e já vêm sendo em alguns locais) por Universidades, Governos, Empresas e Fabricantes/Distribuidores de Hardware para criação de distribuições que pudessem oferecer diferenciais aos usuários finais sem abdicar de uma base de softwares comum e intercambiável.

Não pretendo continuar com o Debian instalado em meu laptop por muito tempo, creio que boa parte dos problemas que encontrei no Ubuntu Gutsy possam ser resolvidos em pouco tempo (se é que já não o foram), mas creio que existe algo verdadeiramente diferente no Debian. Talvez a sensação de se estar usando um projeto desenvolvido de forma verdadeiramente coletiva, com qualidade inquestionável, além de servir de grande provedor para ótimas distribuições que consolidam-se a cada dia como alternativas viáveis, não só em desktops/laptops, mas em todas os dispositivos que demandem a presença de um sistema operacional.

Não sei se fui muito superficial neste meu artigo, mas creio que todos os colaboradores do Debian merecem a simpatia daqueles que usam o GNU/Linux em suas atividades profissionais ou mesmo em seus equipamentos pessoais. Obrigado a vocês!

Espero manter o Debian instalado em uma maquina virtual para poder acompanhar por mais tempo o seu desenvolvimento e, quiçá, contribuir com alguma coisa. Até logo!


Relato: Where do we put the next fifty Itaipus? – Latinoware 2007

Nesta palestra (que não consegui assistir inteira por ter ocorrido paralelamente a outra que eu estava assistindo) o palestrante John “MadDog” Hall falou sobre como o software livre contribui para o consumo mais racional de recursos energéticos com projetos como o four-head e o LTSP, além de decisões que podem contribuir para a melhoria do consumo desse tipo de recursos como a utilização de equipamentos que façam uso mais racional da energia elétrica, assim como os monitores LCD em relação aos monitores CRT.

Abordou questões como o ROI (Retorno de Investimento) e como utilizar o lado financeiro para alavancar a inserção de soluçoes livres em ambientes corporativos.


Relato: Palestra do Richard Stallman – Latinoware 2007

A palestra proferida por Richard Stallman no Latinoware 2007, como era de se esperar, tratou de como é composta a GPL, o que é software livre, o histórico do projeto GNU, como o linux passou a ser o kernel do GNU/Linux, entre outras coisas. Inicialmente o RMS (Richard Stallman) falou das 4 liberdades providas por todo software licenciado sob GPL.

Os principais destaques foram as referências ao presidente norte americano George Bush, à política internacional americana e às leis de patentes que impedem os cidadãos norte americanos de utilizarem, por exemplo, software livre para assistir um DVD. Para mim ficou a impressão de que Richard Stallman, apesar de programador, parece estar preocupado com a filosofia que existe por trás da idéia do software livre sem uma visão pragmática de sua aplicação, entretanto, em alguns momentos, ele transparece o grande entendimento que possui da proposta comercial do software livre, e dos impactos sociais e mercadológicos da existência de softwares livres, como no momento em que citou que um governo, ao incentivar a adoção de uma plataforma livre, viabiliza o crescimento do mercado de capacitação e suporte nacional.

Gostei da forma como ele contou como foi escolhido o nome GNU, mesmo já sabendo a história, pois deu pra notar que deve ter sido muito divertido estar envolvido com aquela idéia naquele momento, o que demonstra o nível de envolvimento que tinham com o projeto no seu início.

Ao final ele se trajou como St. I”gnu”cius e citou os mandamentos da Igreja do Emacs, dentre os quais estão, além das 4 liberdades do software livre, o polêmico (jamais usarás VI para editar seus textos!), que causou certo frisson junto aos “discípulos” do editor VI, onde todos demonstraram sua preferência com o símbolo do VI, segurando o dedo médio da mão direita com o polegar e levantando a mão com a palma voltada para a frente afim de formar as letras V e I de maneira similar ao gesto daqueles que gostam de Rock ‘n Roll, Heavy Metal e afins.

Apesar da forma bem humorada com a qual proferiu a palestra houveram momentos de grande reflexão, envolvendo a forma com que softwares livres são vistos pelas corporações, como o uso do software livre afeta a autonomia das pessoas, empresas e nações, entre outras coisas.


Nem tudo são flores: Problemas com o Ubuntu 7.10 – Gutsy Gibbon

Quando é lançada uma nova distribuição é bem comum ver diversas publicações elogiando novos recursos, performance, suporte a novos hardwares, entre outras coisas, mas algumas vezes é preciso falar também dos eventuais problemas, e nessa versão do Ubuntu não foram poucos os que já enfrentei, sendo eles:

  • Resolução de tela em 320×240 fora do X;
  • Travamentos misteriosos onde é preciso desligar e ligar o equipamento;
  • Travamentos constantes no OpenOffice.org 2.0.3;
  • Permissões de execução do VirtualBox;
  • Funcionamento e permissões de acesso a dispositivos USB no VirtualBox;
  • A péssima idéia de fornecer extensões para o Firefox como a Web Developer em formato DEB (se é pra fazer que seja com a versão nova e não uma de 1 ano atrás);
  • Instabilidade do Compiz;
  • Pacote bugado do Azureus (desde a versão 7.04);
  • Piora sensível no layout dos arquivos de ajuda;
  • Google Earth fecha sozinho quando tento usar o novo recurso que permite ver o céu (ainda não sei se é algum problema específico do Ubuntu ou do Google Earth);
  • Plugins e visualização gráfica do Rhythmbox não funcionam direito;
  • Teclado para de funcionar as vezes no Firefox e é preciso abrir uma nova janela para digitar uma URL;
  • Picos de processamento estranhos e inexplicáveis;
  • Consumo exagerado de memória RAM pelo Firefox com muitas janelas abertas;
  • A saga do problema do plugin do Flash com transparências;
  • O vim que não coloriza os meus códigos fonte (para isso é preciso instalar o vim-complete);
  • O modo ROAM das placas de rede que as vezes se perdem;
  • Os recursos de economia de energia e hibernação do laptop que não funcionam;
  • O reconhecimento falho de dispositivos USB (as vezes é preciso tirar e colocar o pen-drive ou mesmo reiniciar o equipamento para poder usá-lo);
  • Minha dissertação de mestrado trava o OpenOffice.org;
  • O fato de ter conseguido fazer uma impressora HP ligada em rede funcionar apenas com o driver LaserJet genérico;
  • O Automatix (eu sei! não é culpa do Ubuntu! mas e daí?) está uma porcaria;
  • O Reprodutor de Filmes (Totem) que trava ou simplesmente não aceita que eu avance filmes usando o slider logo abaixo do vídeo; e
  • Um processo que as vezes aparece no Monitor do Sistema que não tem nome!!! Muito estranho!!!

Eu nem sequer consegui lembrar de todos os problemas pelos quais passei nas últimas semanas usando o Ubuntu 7.10, mas posso afirmar com certeza que, como usuário do Ubuntu desde a versão 4.10, nunca vi uma versão tão problemática quanto essa.

Me lembrei do Fedora Core 3 ou 4, não me lembro exatamente qual dos 2, que era uma verdadeira bomba. Se alguém tiver alguma explicação para isso tudo me comunique.


Depois do Estadão agora é a vez do Diário do Nordeste

Depois da campanha infantil do Estadão na qual a credibilidade dos textos produzidos de forma independente por autores ditos desconhecidos foi acharcada por insinuações de que os blogueiros são pessoas perturbadas e excluídas socialmente, agora é a vez do Diário do Nordeste engrossar o coro dos insatisfeitos com o crescimento da mídia informal.

Mas o que mais impressiona nesse segundo devaneio jornalístico (ou seria soluço editorial?), é ver uma afirmação dessas:

“Com a proliferação e popularização desse tipo de informação distorcida, os próprios adultos poderão ir perdendo, progressivamente, sua capacidade crítica, passando a ter pontos de vista moldados por escusos e ocultos interesses particulares.”

Senão vejamos. Desde quando a mídia formal é responsável pela formação de opinião crítica? Alias, quem me garante que o que é publicado por um grande jornal, revista, rede de televisão, rádio ou portal da Internet não é moldado por escusos e ocultos interesses particulares?

Em um País que já teve presidentes eleitos e depostos de acordo com o posicionamento da mídia televisiva e impressa, quem desse meio pode ser capaz de atirar a primeira pedra?

Vamos ver se eu entendi bem. Quer dizer então que tem gente por aí pensando que toda e qualquer afirmação que não tenha sido publicada por um jornalista em um meio de veiculação reconhecido é mentirosa ou que não é digna de crédito?

Pois é. Se for isso mesmo então só me resta pensar uma coisa. A mesma mídia que um dia clamou pela liberdade de expressão agora quer cobrar pedágio. E cuidado ao pedir conselhos para algum amigo, antes procure se certificar de que ele já publicou o que lhe disse em um jornal, ou melhor, peça a ele as referências bibliográficas, caso contrário, segundo os veículos ditos respeitados de comunicação, as informações não passam de xurumelas (by Pedro Milani).

Fiquei sabendo disso no navegantes.blog.