Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte IIa

Na primeira parte do artigo eu expliquei como pode ser feita a instalação do Debian Testing de maneira simples e descomplicada, porém, depois de instalado, há necessidade de configurar alguns hardwares que por ventura não tenham sido instalados corretamente durante a fase de instalação. No meu caso o primeiro dispositivo que precisei configurar foi a placa de rede wireless do laptop, além do processador que aparentemente não é totalmente suportado pela versão do kernel que foi instalada.

Ao contrário do Ubuntu, onde todos os comandos administrativos podem ser executados com o ‘sudo’, no Debian é necessário usar o comando ‘su’, então informar a senha do usuário ‘root’ e só depois executar o comando desejado, mas há uma alternativa mais simples para esse fim que é usar o ‘Terminal como Root’, que encontra-se disponível no menu “Aplicações > Acessórios”, mas se a intenção é instalar pacotes, então a opção mais simples é usar o ‘Gerenciador de Pacotes Synaptic’ que está disponível no menu “Aplicações > Ferramentas Administrativas”.

Tendo acessado tal aplicação, é preciso primeiramente instalar uma versão do kernel que suporte corretamente o processador utilizado, já que as etapas posteriores irão realizar compilações de módulos, que ficarão por sua vez atrelados à versão do kernel que estiver em funcionamento no momento da compilação.

Usando o Synaptic basta procurar por “linux-image” e serão mostrados diversos pacotes para várias arquiteturas de processadores. Se a intenção é instalar a versão do kernel para processadores k7 (AMD Athlon ou superior) o pacote correto é o “linux-image-k7”.


Depois que o novo kernel for instalado é necessário reiniciar o computador, na tela inicial (grub) serão mostradas novas opções, apontando para a nova versão do kernel. Basta selecionar a versão desejada e acessar normalmente o gnome.

O próximo passo consiste em configurar os repositórios do debian para utilizar pacotes adicionais, o que pode ser feito utilizando o “Terminal como Root” e editando o arquivo /etc/apt/sources.list com o comando abaixo:

# gedit /etc/apt/sources.list

Deixando-o da seguinte maneira:

deb http://ftp.br.debian.org/debian/ lenny main contrib non-free
deb-src http://ftp.br.debian.org/debian/ lenny main contrib non-free

deb http://security.debian.org/ lenny/updates main contrib non-free
deb-src http://security.debian.org/ lenny/updates main contrib non-free

Feito isso basta salvar o arquivo e depois utilizar o Synaptic (opção “Recarregar”) para atualizar os repositórios, fazendo com que os novos pacotes fiquem disponíveis para instalação.

Os pacotes necessários para instalar o módulo que irá controlar a placa de rede Wireless, no caso uma Atheros AR5005G, são o madwifi-source e o madwifi-tools.

Uma vez instalados basta compilar e instalar os módulos, o que pode ser feito com o auxílio do “Module Assistant”, o que pode ser feito usando o “Terminal como Root”. Os comandos necessários para instalaçao do módulo são os seguintes:

# m-a prepare (isso irá instalar o pacote kernel-headers e quaisquer outras dependências)
# m-a a-i madwifi (isso irá compilar e instalar os módulos do kernel para controlar a placa de rede wireless)

Assim que o processo de instalação terminar é possível carregar o módulo do kernel através do “Terminal como Root” com o comando abaixo:

# modprobe ath_pci

Logo após o comando ser executado o applet do monitor de redes que fica próximo ao relógio do gnome (no canto superior direito da tela) já irá mostrar as redes sem fio disponíveis, bastando clicar nele para ver a lista.

Para tornar a configuração definitiva e permitir que o módulo seja carregado automaticamente da próxima vez que o computador for ligado é preciso adicionar o nome do módulo no final do do arquivo /etc/modules, novamente usando o “Terminal como Root” e editando o arquivo com o comando gedit /etc/modules. O nome do módulo é ath_pci.

Pronto! Agora o primeiro periférico foi corretamente configurado. O mesmo procedimento pode ser usado para configurar outros hardwares, o que faremos na próxima parte do artigo com a placa de vídeo, uma ATI Radeon Xpress 1100, o que também demandará alguns pequenos ajustes na configuração do servidor X.

Até a próxima!


Debian no Desktop/Laptop: É possível? – Parte I

Resolvi escrever esse artigo para contar a minha experiência ao instalar o GNU/Linux Debian em meu Laptop, o que ocorreu esta semana em virtude do descontentamento com o Ubuntu 7.10 (Gutsy Gibbon) e os vários problemas que já relatei aqui no Blog anteriormente. Para facilitar a leitura eu dividi o texto em quatro partes, sendo elas a instalação, a configuração do hardware, a instalação de softwares adicionais e as conclusões, sendo esta primeira parte dedicada a descrição do processo de instalação, conforme pode ser visto abaixo.

Parte I – A Instalação

Eu não costumo usar outro sistema operacional em meu Laptop (um Acer Aspire 5100-5196) que não seja alguma distribuição do GNU/Linux e uma instalação, devidamente licenciada, do Windows XP que mantenho em uma partição de 20GB para utilização da Webcam (que ainda não tem drivers para Linux) e de softwares que exigem este sistema operacional.

Com o Ubuntu, distribuição que utilizo no dia-a-dia neste Laptop desde a sua aquisição, todo o hardware (exceto pela webcam) é reconhecido perfeitamente, bastando para isso instalar o CD da versão Desktop da distribuição, sem maiores problemas. Já com o Debian a história é um pouco diferente. Senão vejamos:

O Debian conta com 3 repositórios distintos, sendo eles:

  • o ‘stable’, que conta com versões altamente testadas dos softwares lá contidos, o que ocorre em detrimento à atualização dos mesmos, ou seja, são softwares muito velhos, que não me atenderiam, por exemplo, o Gnome 2.14;
  • o ‘unstable’, que conta com as últimas versões dos softwares disponíveis em detrimento da sua estabilidade;
  • o ‘testing’, que conta com versões razoavelmente atualizadas dos softwares disponibilizados pela distribuição e com grau de estabilidade até mesmo superior ao de distribuições orientadas ao público geral como o Ubuntu e o Fedora.

Dadas essas três possibilidades eu optei por utilizar a versão “testing” do Debian, que recebe o nome de ‘Lenny’ (a unstable chama-se ‘Sid’ e a stable chama-se ‘Etch’).

O primeiro passo foi selecionar uma das várias formas de instalação possíveis do Debian, dentre as quais a que me pareceu mais interessante foi a que faz uso de um CD bootável chamado ‘debian-installer’, onde uma imagem contendo apenas os softwares essenciais (com tamanho aproximado de 140MB) é utilizada para a instalação, que é completada através do download dos componentes escolhidos ao longo da instalação (também chamados de Tasks).

Na página do Debian Installer há uma grande quantidade de opções para diversas arquiteturas e formatos de mídia, dentre as quais recomendo a chamada de CD “netinst”. Essa versão já é orientada para os repositórios ‘testing’, assim sendo, ao terminar a instalação, já se terá um Debian Testing (Lenny) rodando. Também é preciso observar a arquitetura do computador onde o Debian será instalado, sendo a mais comum a i386.

Observação: A versão AMD64 parece estar com problemas. Não consegui fazer minha placa de rede wireless funcionar, portanto, o melhor a fazer é instalar a versão i386 e selecionar um kernel mais adequado mais tarde.

Antes de começar a instalação é preciso se certificar de que há uma conexão de rede ethernet por perto. Aparentemente o CD “netinst” não reconhece uma grande variedade de adaptadores wireless, assim sendo, como a instalação depende de conexão com a Internet para ser concluída posteriormente, é bom conectar o computador a um cabo de rede para evitar problemas.

O procedimento é comum a qualquer instalação de sistema operacional, ou seja, uma vez com o CD em mãos basta inseri-lo no drive e efetuar o boot por ele. Quando o CD é carregado é mostrada uma tela onde é possível selecionar diversos parâmetros opcionais de instalação, sendo que para utilizar o instalador gráfico é necessário informar o parâmetro ‘installgui’ nesse momento. O instalador é bem parecido com o do Ubuntu e de outras distribuições que contam com esse recurso, portanto não vou me ater a detalhes iniciais.


Durante a instalação, já nos últimos passos do instalador, é solicitada a seleção do perfil (Tasks) de utilização para o qual o computador será utilizado. No meu caso eu selecionei 3 perfis, referentes a ‘desktop’, ‘laptop’ e ‘softwares básicos’. Uma vez feito isso o instalador irá fazer o download de mais de 700 pacotes que irão ser instalados para que o computador atenda aos perfis selecionados. Isso pode demorar várias horas dependendo da conexão com a Internet que estiver em uso no momento, portanto, recomendo que se faça isso em algum local com conexão rápida com a Internet.


Depois de concluída a instalação e reiniciado o computador é apresentada a tela de login para que sejam informadas as credenciais do usuário que foi criado durante o processo de instalação. A partir daí o que se tem é um desktop Gnome completo com diversas aplicações instadas, praticamente idêntico ao que ocorre ao final da instalação de distribuições mais “User Friendly” como o Ubuntu e o Fedora.

Logo ao verificar o monitor de recursos do gnome é possível perceber que o consumo de memória RAM é consideravelmente menor do que em outras distribuições, entretanto, em equipamentos com processadores dual-core da AMD é possível perceber também que apenas um núcleo do processador é detectado corretamente, o que pode ser resolvido instalando o kernel (k7), o que irei explicar posteriormente.

Outros hardwares não detectados (além da webcam que certamente não funcionará) são a placa de rede wireless Atheros (madwifi) e a placa de vídeo ATI Xpress 1100.

Na próxima parte do artigo eu irei descrever como configurar estes hardwares e outros que demandem a compilação de módulos do kernel, o que a primeira vista pode parecer muito difícil mas realmente não é.

Até a próxima!


Relato: Where do we put the next fifty Itaipus? – Latinoware 2007

Nesta palestra (que não consegui assistir inteira por ter ocorrido paralelamente a outra que eu estava assistindo) o palestrante John “MadDog” Hall falou sobre como o software livre contribui para o consumo mais racional de recursos energéticos com projetos como o four-head e o LTSP, além de decisões que podem contribuir para a melhoria do consumo desse tipo de recursos como a utilização de equipamentos que façam uso mais racional da energia elétrica, assim como os monitores LCD em relação aos monitores CRT.

Abordou questões como o ROI (Retorno de Investimento) e como utilizar o lado financeiro para alavancar a inserção de soluçoes livres em ambientes corporativos.


Relato: Software Livre no ambiente educacional: análise e perspectivas – Latinoware 2007

Nesta palestra o Prof. Ulisses Leitão contou sua experiência com a utilização de softwares livres na educação em sua instituição de ensino. Reforçando a idéia de que o software livre pode (e deve) ser utilizado em todas as áreas pois não há limitações, a não ser as impostas pelo preconceito que as pessoas tem de utilizar softwares que não conhecem.

Durante a apresentação ele citou softwares que utilizou e utiliza em seus projetos. Ao final da apresentação ele distribuiu CD’s de uma distribuição de linux criada com seu auxílio onde encontram-se disponíveis materiais de treinamento em vídeo para reduzir o impacto do primeiro contato com o software livre em instituições de ensino.

O foco principal foi a capacitação de professores para uso do software livre.


Relato: Videoconferência em Software Livre: para tudo e para todos – Latinoware 2007

Durante a palestra foram expostos os conceitos de videoconferência e suas modalidades, usando unicast, multicast e broadcast; quais equipamentos são utilizados em soluções proprietárias e os custos acarretados pela aquisição de encoders, MCU’s e transmitters. Também foi abordada a teoria por trás de cada modalidade de transmissão com a apresentação de esquemas e os seus impactos.

O palestrante falou sobre protocolos de rede que são utilizados para esse fim, dentre eles o h.323 e o SIP. Ele também falou dos projetos voltados para construção de ecossistemas de videoconferência livres como o Openh323 que oferece vários subprojetos que podem ser utilizados na criação de uma solução completa.

OpenH323: http://www.openh323.org


Relato: Mini-curso – Ruby On Rails – Latinoware 2007

O mini curso que estava previsto para ter início às 15:00 e término às 20:00 do dia 13 teve uma duração bem menor do que a prevista onde foram abordados os principais aspectos do framework para desenvolvimento de aplicações Web Ruby On Rails. Inicialmente o ministrante fez uma demonstração de especificidades da linguagem Ruby, que é muito parecida com Python e demonstrações de como tudo na linguagem é composto por objetos que possuem métodos, inclusive os tipos primitivos de dados, o que é muito bom, pois associado ao fato de se tratar de uma linguagem dinâmica, ela é fortemente tipada e conta com tipagem dinâmica de dados. Essas características fazem do Ruby uma linguagem simples, poderosa e fácil, que pode ser utilizada para construir softwares complexos sem que o programador tenha tanto trabalho quanto teria se estivesse usando linguagens mais rudimentares como o Java, C ou Pascal, além de não exigir recompilações e todas as outras vantagens que são inerentes a linguagens dinâmicas como o Python, Perl e outras.

Ao iniciar a demonstração do framework própriamente dito, no caso o Ruby On Rails, ele demonstrou de maneira rápida as características prinicipais do framework e explicou como a filosofia de “Convention over Configuration” contribui para a criação de aplicações simples e eficazes.

O Ruby on Rails parte da premissa que um desenvolvedor cria seus softwares partindo do topo para a base, sendo que a definição da base de dados gera automáticamente as classes do sistema de forma dinâmica, sem geração de código, aumentando muito a produtividade do desenvolvedor. Infelizmente não foi possível desenvolver a aplicação de exemplo que havia sido proposta inicialmente, o que prejudicou o conteúdo do mini-curso, que acabou se transformando numa palestra um pouco mais aprofundada.

De qualquer forma, existem muitos materiais sobre Ruby on Rails e eu procurei listar alguns aqui para quem tiver interesse.

Site Oficial: http://www.rubyonrails.org/

Ruby On Rails Brasil: http://www.rubyonrails.com.br


Relato: Educação a Distância e Software Livre: caminhos e desafios para o projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB) – Latinoware 2007

Nesta palestra foi explicado o projeto da UAB (Universidade Aberta do Brasil) que é um projeto que conecta a oferta de cursos de universidades federais como a UFSC, UFMS, UFPR e outras às prefeituras municipais, que por usa vez oferecem tele-salas e a estrutura local necessária para que os alunos assistam às aulas e tenham o apoio necessário para que possam participar de tais cursos à distância, em suas próprias cidades, sem quaisquer custos.

Para tal foi escolhido o software Moodle, que é utilizado na criação dos AVA’s (Ambientes Virtuais de Aprendizagem) utilizados pelos cursos oferecidos pelas universidades parceiras através da UAB.

Foram abordadas questões como a dificuldade de capacitação de pessoal para atuação como tutores nessas iniciativas, a resistência de professores em adotar esse novo tipo de paradigma educacional mediado pela tecnologia, a discriminação de cursos a distância, entre outros.

Ao final da palestra houve um pequeno debate entre os participantes e o palestrante no qual foram questionadas práticas e apontadas dificuldades na adoção da plataforma Moodle. O palestrante também citou eventos que deverão ocorrer no próximo ano voltados para a capacitação de usuários do Moodle e encontros da comunidade de usuários desse software livre, como por exemplo o MoodleMoot Brasil 2008.

UAB: http://www.uab.mec.gov.br/

Moodle: http://moodle.org


Relato: Controle de tráfego com HTB e Iptables – Latinoware 2007

Nesta palestra foi abordada a utilização dos softwares HTB e Iptables para realização de QoS em redes corporativas. O processo consiste na criação de regras para consumo de recursos de comunicação (links de internet) afim de evitar que o tráfego de informações mais importantes seja prejudicado pelo tráfego de informações menos importantes, através da definição de classes e prioridades (disciplinas do HTB), as quais são utilizadas mediante redirecionamento do tráfego da rede local com o auxílio do IPTABLES.

A explicação foi bem aprofundada e o Prof. Eriberto demonstrou o funcionamento da solução com o auxílio de um vídeo gravado por ele onde são gerenciados dois downloads de arquivos grandes determinando prioridades específicas para cada um deles, o que possibilitou visualizar o funcionamento da solução na prática.

Os conceitos de utilização do HTB são muito simples se comparados com outras soluções similares que eu já conhecia, como por exemplo o CBQ. O uso de QoS em redes corporativas é fundamental afim de economizar recursos e racionalizar a sua utilização, permitindo que todos os usuários sejam atendidos mediante otimização do uso.

Esta sem dúvida foi a palestra que mais gostei no evento.

Site do palestrante (onde inclusive já está disponível o material da palestra): http://www.eriberto.pro.br/


Relato: Empacotamento de software no Debian GNU/Linux – Latinoware 2007

Mesmo não tendo ficado até o final, pois não havia conseguido fazer a inscrição para o mini-curso (que só contava com 20 vagas, assim como os outros) eu passei algum tempo no fundo da sala assistindo o andamento do mesmo.

Nesse mini-curso o Prof. Eriberto (grande palestrante por sinal) abordou as técnicas necessárias ao empacotamento de softwares para a distribuição GNU/Linux Debian (o que também serve para outras distribuições baseadas no formato de pacotes DEB). Inicialmente ele falou sobre como os pacotes são aceitos e disponibilizados nos repositórios do Debian, também falou sobre como as pessoas podem contribuir para correção de bugs em pacotes Debian e como adotar pacotes órfãos.

Em seguida ele demonstrou como criar a “Jaula” (Jail) onde é instalada uma cópia mínima do Debian em uma pasta de trabalho que posteriormente é utilizada para instalação do software que será empacotado usando CHROOT a partir dos fontes. Frisou a importância de criar Jails limpos para instalação dos softwares afim de eliminar possíveis problemas com dependências (que são outros softwares que por ventura sejam requeridos pelo software que se deseja empacotar), entre outras coisas.

Como não fiquei até o final espero que aqueles que puderam ficar até o final complementem o relato com mais informações e links para materiais de referência.


Relato: Palestra do Richard Stallman – Latinoware 2007

A palestra proferida por Richard Stallman no Latinoware 2007, como era de se esperar, tratou de como é composta a GPL, o que é software livre, o histórico do projeto GNU, como o linux passou a ser o kernel do GNU/Linux, entre outras coisas. Inicialmente o RMS (Richard Stallman) falou das 4 liberdades providas por todo software licenciado sob GPL.

Os principais destaques foram as referências ao presidente norte americano George Bush, à política internacional americana e às leis de patentes que impedem os cidadãos norte americanos de utilizarem, por exemplo, software livre para assistir um DVD. Para mim ficou a impressão de que Richard Stallman, apesar de programador, parece estar preocupado com a filosofia que existe por trás da idéia do software livre sem uma visão pragmática de sua aplicação, entretanto, em alguns momentos, ele transparece o grande entendimento que possui da proposta comercial do software livre, e dos impactos sociais e mercadológicos da existência de softwares livres, como no momento em que citou que um governo, ao incentivar a adoção de uma plataforma livre, viabiliza o crescimento do mercado de capacitação e suporte nacional.

Gostei da forma como ele contou como foi escolhido o nome GNU, mesmo já sabendo a história, pois deu pra notar que deve ter sido muito divertido estar envolvido com aquela idéia naquele momento, o que demonstra o nível de envolvimento que tinham com o projeto no seu início.

Ao final ele se trajou como St. I”gnu”cius e citou os mandamentos da Igreja do Emacs, dentre os quais estão, além das 4 liberdades do software livre, o polêmico (jamais usarás VI para editar seus textos!), que causou certo frisson junto aos “discípulos” do editor VI, onde todos demonstraram sua preferência com o símbolo do VI, segurando o dedo médio da mão direita com o polegar e levantando a mão com a palma voltada para a frente afim de formar as letras V e I de maneira similar ao gesto daqueles que gostam de Rock ‘n Roll, Heavy Metal e afins.

Apesar da forma bem humorada com a qual proferiu a palestra houveram momentos de grande reflexão, envolvendo a forma com que softwares livres são vistos pelas corporações, como o uso do software livre afeta a autonomia das pessoas, empresas e nações, entre outras coisas.