Resolvi escrever esse artigo para contar a minha experiência ao instalar o GNU/Linux Debian em meu Laptop, o que ocorreu esta semana em virtude do descontentamento com o Ubuntu 7.10 (Gutsy Gibbon) e os vários problemas que já relatei aqui no Blog anteriormente. Para facilitar a leitura eu dividi o texto em quatro partes, sendo elas a instalação, a configuração do hardware, a instalação de softwares adicionais e as conclusões, sendo esta primeira parte dedicada a descrição do processo de instalação, conforme pode ser visto abaixo.
Parte I – A Instalação
Eu não costumo usar outro sistema operacional em meu Laptop (um Acer Aspire 5100-5196) que não seja alguma distribuição do GNU/Linux e uma instalação, devidamente licenciada, do Windows XP que mantenho em uma partição de 20GB para utilização da Webcam (que ainda não tem drivers para Linux) e de softwares que exigem este sistema operacional.
Com o Ubuntu, distribuição que utilizo no dia-a-dia neste Laptop desde a sua aquisição, todo o hardware (exceto pela webcam) é reconhecido perfeitamente, bastando para isso instalar o CD da versão Desktop da distribuição, sem maiores problemas. Já com o Debian a história é um pouco diferente. Senão vejamos:
O Debian conta com 3 repositórios distintos, sendo eles:
- o ‘stable’, que conta com versões altamente testadas dos softwares lá contidos, o que ocorre em detrimento à atualização dos mesmos, ou seja, são softwares muito velhos, que não me atenderiam, por exemplo, o Gnome 2.14;
- o ‘unstable’, que conta com as últimas versões dos softwares disponíveis em detrimento da sua estabilidade;
- o ‘testing’, que conta com versões razoavelmente atualizadas dos softwares disponibilizados pela distribuição e com grau de estabilidade até mesmo superior ao de distribuições orientadas ao público geral como o Ubuntu e o Fedora.
Dadas essas três possibilidades eu optei por utilizar a versão “testing” do Debian, que recebe o nome de ‘Lenny’ (a unstable chama-se ‘Sid’ e a stable chama-se ‘Etch’).
O primeiro passo foi selecionar uma das várias formas de instalação possíveis do Debian, dentre as quais a que me pareceu mais interessante foi a que faz uso de um CD bootável chamado ‘debian-installer’, onde uma imagem contendo apenas os softwares essenciais (com tamanho aproximado de 140MB) é utilizada para a instalação, que é completada através do download dos componentes escolhidos ao longo da instalação (também chamados de Tasks).
Na página do Debian Installer há uma grande quantidade de opções para diversas arquiteturas e formatos de mídia, dentre as quais recomendo a chamada de CD “netinst”. Essa versão já é orientada para os repositórios ‘testing’, assim sendo, ao terminar a instalação, já se terá um Debian Testing (Lenny) rodando. Também é preciso observar a arquitetura do computador onde o Debian será instalado, sendo a mais comum a i386.
Observação: A versão AMD64 parece estar com problemas. Não consegui fazer minha placa de rede wireless funcionar, portanto, o melhor a fazer é instalar a versão i386 e selecionar um kernel mais adequado mais tarde.
Antes de começar a instalação é preciso se certificar de que há uma conexão de rede ethernet por perto. Aparentemente o CD “netinst” não reconhece uma grande variedade de adaptadores wireless, assim sendo, como a instalação depende de conexão com a Internet para ser concluída posteriormente, é bom conectar o computador a um cabo de rede para evitar problemas.
O procedimento é comum a qualquer instalação de sistema operacional, ou seja, uma vez com o CD em mãos basta inseri-lo no drive e efetuar o boot por ele. Quando o CD é carregado é mostrada uma tela onde é possível selecionar diversos parâmetros opcionais de instalação, sendo que para utilizar o instalador gráfico é necessário informar o parâmetro ‘installgui’ nesse momento. O instalador é bem parecido com o do Ubuntu e de outras distribuições que contam com esse recurso, portanto não vou me ater a detalhes iniciais.

Durante a instalação, já nos últimos passos do instalador, é solicitada a seleção do perfil (Tasks) de utilização para o qual o computador será utilizado. No meu caso eu selecionei 3 perfis, referentes a ‘desktop’, ‘laptop’ e ‘softwares básicos’. Uma vez feito isso o instalador irá fazer o download de mais de 700 pacotes que irão ser instalados para que o computador atenda aos perfis selecionados. Isso pode demorar várias horas dependendo da conexão com a Internet que estiver em uso no momento, portanto, recomendo que se faça isso em algum local com conexão rápida com a Internet.

Depois de concluída a instalação e reiniciado o computador é apresentada a tela de login para que sejam informadas as credenciais do usuário que foi criado durante o processo de instalação. A partir daí o que se tem é um desktop Gnome completo com diversas aplicações instadas, praticamente idêntico ao que ocorre ao final da instalação de distribuições mais “User Friendly” como o Ubuntu e o Fedora.
Logo ao verificar o monitor de recursos do gnome é possível perceber que o consumo de memória RAM é consideravelmente menor do que em outras distribuições, entretanto, em equipamentos com processadores dual-core da AMD é possível perceber também que apenas um núcleo do processador é detectado corretamente, o que pode ser resolvido instalando o kernel (k7), o que irei explicar posteriormente.
Outros hardwares não detectados (além da webcam que certamente não funcionará) são a placa de rede wireless Atheros (madwifi) e a placa de vídeo ATI Xpress 1100.
Na próxima parte do artigo eu irei descrever como configurar estes hardwares e outros que demandem a compilação de módulos do kernel, o que a primeira vista pode parecer muito difícil mas realmente não é.
Até a próxima!
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